Uma curiosidade pouco conhecida da história do Beato Padre Eustáquio une o Missionário da Saúde e da Paz a um dos capítulos mais marcantes do futebol brasileiro.
Quando desembarcou no Brasil, em 1925, Padre Eustáquio encontrou uma recepção que certamente jamais esqueceria. O porto do Rio de Janeiro estava tomado por uma multidão. Milhares de pessoas se aglomeravam no cais, enquanto centenas de pequenas embarcações enfeitadas se aproximavam do vapor. Bandas de música tocavam e o povo festejava com entusiasmo.
Mas a grande homenagem não era destinada aos missionários que chegavam ao país. No mesmo navio viajavam os jogadores do Club Athletico Paulistano, equipe que acabava de realizar a primeira excursão de um clube brasileiro à Europa.
A campanha foi histórica. O Paulistano venceu nove dos dez jogos disputados em países como França e Suíça, encantando o público europeu com seu futebol. O ponto alto da excursão foi a goleada por 7 a 2 sobre a seleção francesa. O desempenho foi tão impressionante que a imprensa europeia passou a chamar os atletas brasileiros de “Os Reis do Futebol”.
Diante da grande festa no porto, os companheiros de viagem brincaram com Padre Eustáquio:
“Veja só; este povo pensa que veio homenagear seus jogadores, mas engana-se; é à nossa Congregação que veio cumprimentar.”
Com seu jeito simples e bem-humorado, Padre Eustáquio respondeu:
“Sim, nunca pensei que a Congregação dos Sagrados Corações fosse tão festivamente recebida; há de ser um prenúncio de coisas admiráveis.”
A frase, registrada posteriormente em relatos da Congregação, acabou se revelando profética.
Após a chegada ao Brasil, os missionários foram acolhidos em Petrópolis (RJ). Enquanto o Superior Provincial e o Padre Gil analisavam os convites recebidos para o trabalho missionário, Padre Eustáquio aguardava os desdobramentos da missão. Pouco depois, a Congregação dos Sagrados Corações decidiu aceitar a responsabilidade pelo Santuário de Nossa Senhora da Abadia, em Água Suja — atual Romaria (MG).
Foi ali que teve início a trajetória missionária de Padre Eustáquio em terras brasileiras. Ao longo dos anos, sua dedicação aos enfermos, aos pobres e à evangelização conquistaria o coração de milhares de pessoas, transformando-o em uma das figuras religiosas mais queridas do país.
Cem anos depois de sua chegada ao Brasil, a curiosa coincidência entre o desembarque de Padre Eustáquio e o retorno dos “Reis do Futebol” continua chamando a atenção. Enquanto os atletas eram recebidos pelos aplausos de uma nação apaixonada pelo esporte, o jovem missionário iniciava discretamente uma missão que deixaria marcas profundas na história da fé brasileira.
Uma história que confirma o que ele mesmo intuiu naquele dia: Deus reservava à Congregação dos Sagrados Corações e ao futuro Beato Padre Eustáquio “coisas admiráveis”.