Neste Dia do Padre, partilhamos um dos escritos do Beato Padre Eustáquio sobre a santidade sacerdotal. Em suas palavras, o Missionário da Saúde e da Paz recorda que a vocação do sacerdote se realiza na fidelidade à vontade de Deus, no serviço generoso às almas e na santificação das ações cotidianas. Uma reflexão que continua atual e inspiradora para sacerdotes e fiéis.
Leia na íntegra:
Santificação das nossas ações
Uma vida santa não é senão uma vida cheia de boas ações. Fazer constantemente o que Deus quer de nós e fazer com perfeição que Ele exige de seus sacerdotes, eis aí em duas palavras nossa santidade sacerdotal.
Nossas boas obras são o nosso único bem sólido que nós temos neste mundo e que nós devíamos levar para o outro. Honras, alegrias, dinheiro, possessões terrestres, nada nos seguirá ao lado de lá do túmulo. Nossa alma só e nossas boas obras. Eis aí a nossa bagagem para o outro mundo.
Nosso corpo mesmo não assistirá ao primeiro julgamento, Ai! Ainda nosso corpo não será frio no leito fúnebre onde exalou o último suspiro, e nossa sorte eterna já será fixa e serão só nossas boas obras que servirão de base para a nossa sentença irrevogável. Quase podíamos dizer que não é Deus que nos julgará, mas as nossas obras. Essa consideração nos há de fazer determinar de santificar as nossas obras e de sentir fielmente as regras que nós vamos propor.
Nós o sabemos e dizemos muitas vezes, o tempo é infinitamente precioso para todos, porque il ns foi dado ao homem senão para merecer pelo bom uso que dele faz, a eternidade da glória que lhe é proposta, Mas a reflexão mais simples nos há de dizer logo que o tempo de um sacerdote á mais precioso ainda so que aquele dos simples fieis. Com efeito, a missão de um sacerdote não é somente para salvar a sua própria alma, mas para trabalhar sem cessar à salvação de seus irmãos. É certo que o tempo que Deus lhe acorda para cumprir essa missão importante é inestimável à causa de dois títulos. O sacerdote convencido de sua missão será sempre ocupado com a salvação das almas, em toda parte e sempre ele será sacerdote, quer dizer mediador entre Deus e os homens. Colocado pela graça de Deus à fonte das graças, o sacerdote é encarregado de esparramá-las sobre os pecadores que tanto carecem.
Deus não recusa nada ao santo sacerdote. Ele atende a todas as suas orações, abençoe a todos os seus trabalhos, Ele fecunda seu ministério, Ele salva por cada uma de suas obras milhares de almas e só na eternidade que nós saberemos os enormes resultados das nossas boas obras. É a razão que temos de nos arrepender muito de qualquer perda de tempo! Quando contra o grito de nossa consciência nós sacrificamos a coisas fúteis, horas e horas em que nós podíamos ser úteis às almas, porque não pensamos que estamos fazendo uma perda imensa e talvez irreparável?
Em presença destas considerações, os sacerdotes, os mais santos, se repreendem vivamente de um só momento perdido, e ainda que estejam continuamente ocupados com obras santas, eles tremem ainda no fim de sua carreira de não haver cumprido como deviam as funções mais importantes de sua suposta profissão.
Entremos agora nos pormenores de nossas obras e vejamos se nós façamos constantemente o que Deus pede de nós e se nós as fazemos no tempo e de maneira que hão de ser feitas, de maneira que elas formam qual um tecido, uma vida verdadeiramente sacerdotal, Em outras palavras, examinemos segundo a linguagem da Sagrada Escritura, nossos dias podem ser chamados de dias cheios: dies pleni.
No primeiro lugar não somos muitas vezes ociosos? Um sinal dos mais incontestáveis do relaxamento de um sacerdote é a ociosidade. Quando se entrega a este vício, acontece uma espécie de desorganização física e moral que não deixa mais nenhum gosto por qualquer coisa que seja importante e útil.
O corpo contrai um tal costume de descanso, de languidez e de moleza que só a ideia do trabalho é relutante.
A alma, de seu lado, não tem quase mais força de aplicar as suas forças à uma ocupação um tanto séria. A mola de sua vontade é de tal modo espichada que as obras, as mais obrigatórias e de que não se pode abster sem escândalo, se fazem tão sem vontade e com tanta penúria que se tira pouco proveito.
Neste estado estão a carga de si e dos outros. A vida é um peso que custa aguentar; os dias, tão depressa passados para o santo sacerdote, são de um comprimento barroso para o sacerdote ocioso. Ele se aborrece quando não faz nada e se aborrece quando faz alguma coisa. Mas por se ver condenado de todo lado ao aborrecimento, ele ama mais o aborrecimento da ociosidade que o aborrecimento do trabalho. Assim ele passa os dias, horas inteiras, nessa inatividade lamentável. Para abreviar um pouco o dia, ele o começa o mais tarde possível e se podia dizer que a regra, a respeito de levantar e de largar a cama, quando é mais penoso de ficar que de sair.
Depois de algumas obras indispensáveis feitas com moleza, ele vai para ir, ele fala para dizer nada, ele conversa com alguém da casa ou da vizinhança e ele se faz uma estação no seu quarto ou para dormir ou se ocupar com futilidades. Assim passa o dia, ou melhor para dizer, assim passa a vida inteira.
Em tal vida, as obras espirituais assim como as comuns são condenadas à esterilidade. A oração é sacrificada ou reduzida a uma insignificância ou para sua brevidade excessiva ou pela indiferença com que ele as faz. O ofício santo não é senão uma fórmula penosa, de que se desocupa o mais rapidamente e o mais tarde possível. A santa missa mesmo sente relaxamento. E falta energia, zelo, devoção em todas as suas obras. Isso deverá nos assustar. E é uma vida de um sacerdote que se passa assim é E é o ministro de Jesus Cristo, son oficial na terra, o salvador das almas remidas de seu sangue adorável, é ele quem adormece profundamente na ociosidade e não se acorda nem com a sentença de Jesus Cristo: Servum inutilem ejicite in tenebras exteriores. Multan malitiam docuit otiositas.
Padre Eustace