Desde que o Papa São João Paulo II, no dia 12 de abril de 2003, reconheceu a heroicidade das virtudes de Padre Eustáquio, inscrevendo o nome do religioso na lista dos Veneráveis Servos de Deus, o processo de Beatificação ganhou um novo passo, o de apresentar um milagre para que ele fosse reconhecido pela igreja e declarado Bem-Aventurado pela Santa Sé.
Entrou em cena, então, a surpreendente cura de um câncer por intercessão do Padre Eustáquio em benefício do Padre Gonçalo Belém, de Belo Horizonte, que foi comprovada cientificamente. Veja o relato do Cardeal Dom Serafim Fernandes de Araújo, Arcebispo Emérito de Belo Horizonte/MG:
“Certa manhã de quinta-feira Padre Gonçalo Belém Rocha pediu que Dom João e eu o recebêssemos. Vinha despedir-se de nós, pois fora constatado um câncer na sua garganta. Ficamos transtornados. Chorava o Padre Belém, chorávamos nós dois com o amigo e filho. Assim nos despedimos. Dom João olhou para mim, olhei para Dom João e me veio uma inspiração. Eu disse: ‘Dom João vamos subir à Capela e pedir expressa e fervorosamente a Deus que, pela intercessão de Padre Eustáquio, cure o Padre Belém’. Passamos uns minutos rezando. E colocamos aquele sacerdote nas mãos do Padre Eustáquio, cujo processo de Canonização tínhamos iniciado havia pouco tempo. Na operação segunda-feira, algo de impensável havia acontecido. Os médicos entreolhavam-se, mas o raio X comprovava ‘não havia nada a ser extirpado’ alguém chegara antes!… Padre Belém viveu ainda mais uns 50 anos. Santo é santo, ventania de Deus que ninguém segura”.
or conta deste fato, no dia 15 de junho de 2006, foi realizada a solene Beatificação no Mineirão. O reconhecimento público de uma vida heroica nas virtudes e no serviço.
O Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte-MG, acolheu, na festa de “Corpus Christi”, a multidão de fiéis vindos das paróquias de Belo Horizonte e de outras cidades. Eram mais de 80 mil pessoas participando da 12ª Torcida de Deus.
A Santa Missa foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, que destacou a figura do Bem-Aventurado Padre Eustáquio durante sua homilia.
LEIA A HOMILIA DE DOM WALMOR NA BEATIFICAÇÃO
Estavam presentes os familiares do novo Beato vindos da Holanda, as Irmãs e os Irmãos (religiosos, padres e bispos) da Congregação dos Sagrados Corações vindos de mais de vinte países, o Padre Gonçalo Belém e o Cardeal Dom Serafim Fernandes de Araújo, grande devoto, que junto com Dom João de Rezende Costa confiara à intercessão de Padre Eustáquio a cura do Padre Belém.
Gonçalo Belém Rocha nasceu em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte-MG e foi ordenado na década de 1950. Aos 39 anos, foi surpreendido por um câncer na laringe. Os médicos diagnosticavam um quadro muito delicado, acompanhado de rouquidão e inflamações da garganta. A intervenção cirúrgica seria a única forma de êxito na cura. Às vésperas da cirurgia, os médicos, enquanto faziam os últimos exames pré-operatórios, perceberam a garganta de Belém sadia.
Padre Gonçalo Belém, viveu ainda 45 anos após a cura. Uma trajetória marcada pela caridade, amor ao próximo e 57 anos de dedicação à Igreja. Ele morreu no dia 06 de dezembro de 2007, com 83 anos, no hospital Vila da Serra, em Nova Lima-MG, onde estava internado, havia cinco meses, no CTI.
A causa da morte foi falência múltipla de órgãos. Pároco emérito da paróquia São Pedro Apóstolo, no bairro Floresta, também em Belo Horizonte, padre Belém morreu se perguntando porque havia sido agraciado por Deus, por intermédio de Padre Eustáquio. Numa reportagem do jornal Estado de Minas, de 2006, a matéria trazia uma fala de Padre Belém durante a Beatificação de Padre Eustáquio no Mineirão: