Meditação de Padre Eustáquio: Quinta-feira Santa – Instituição da Eucaristia e Lava-pés

Meditação de Padre Eustáquio: Quinta-feira Santa – Instituição da Eucaristia e Lava-pés

Do caderno 02 do Padre Eustáquio

“Segundo a lei judaica, Jesus tinha tomado com os seus apóstolos o cordeiro pascal. Ele levantou-se, cingiu-se de uma toalha, colocou água numa bacia e ajoelhou-se aos pés de cada um dos apóstolos, começando pelo mais velho. E, apenas São Pedro viu o que Jesus intencionava, levantou-se dizendo:
“Nunca, na minha vida, me lavarás os pés! Porém Jesus replicou:
“Se não te lavar, não entrarás no Reino do Céu.” E São Pedro respondeu, assustado:
“Não somente aos meus pés, mas ao meu corpo todo que haveis de lavar!” Porém Jesus respondeu: “Se alguém tomou banho, basta lavar os pés.” E Jesus começou a lavar, um por um, os pés. E, quando terminou a lavação dos pés, sentou-se à mesa, tomou o pão e falou:
“Tomai e comei: isto é o meu corpo.” E, em seguida, tomando o cálice, falou:
“Tomai e bebei: isto é o meu sangue.” Foi o santo momento da instituição do Santíssimo Sacramento do altar.

Quando São Paulo narra essa passagem, ele diz algumas palavras que muito nos hão de comover, pois tudo nos comove neste Evangelho, porém mais ainda estas poucas palavras: “na noite em que Jesus foi traído.” Na noite em que Jesus foi traído, Ele lavou os pés de seus discípulos, deu-lhes de comer e beber, pela primeira vez, o seu Corpo e Sangue. Jesus já sabia quem e como iria traí-Lo. Sabia as palavras que iria dizer, as moedas que iria receber, o momento e o lugar em que iria traí-Lo. Mas, não obstante, Jesus lavou os pés a este apóstolo, deu-lhe o seu Corpo e Sangue para comer e beber.

Oh Judas! Com o demônio no coração, foi ao templo para se encontrar com os fariseus e escribas, dizendo: “Se me quiserdes dar 30 moedas de prata, eu vos entregarei aquele que buscais.” E deram-lhe o dinheiro. E Judas teve aquela triste coragem de levar os soldados ao lugar onde Jesus estava rezando. E Jesus sabia tudo isso, e não o repeliu, mas o recebeu com o mesmo carinho que aos outros. Jesus sabia que São Pedro o negaria até três vezes perante o povo. E, mesmo assim, o recebeu com tanto carinho naquela noite em que todos iriam fugir do Mestre, até os próprios apóstolos. Mas Jesus não queria fugir — queria ficar conosco, dia e noite, no Santíssimo Sacramento do altar.

Foi naquela noite que Jesus seria flagelado, coroado de espinhos, condenado à morte. Mas Jesus, de coração sempre bondoso, não quis pagar tantos tormentos com outros tormentos. Não obstante tanto sofrimento, quis ficar conosco no Santíssimo Sacramento do altar. Foi naquela noite que Jesus previu tudo o que iria acontecer no futuro: a pouca reverência nas igrejas, o pouco respeito à sua divina presença, tantos sacrilégios, tantos horrores contra sua santa presença. Mas Jesus quis ficar — ficar sempre, até o fim do mundo, enquanto houvesse uma alma que precisasse do seu auxílio neste mundo. Oh noite de valor! Noite preciosa! A noite que precedeu a morte do seu Mestre. Oh bondade, oh divina bondade! Vós sois grande demais para ser compreendida por nós, pobres mortais! Mas também noite triste: um fogo de amor numa noite tão fria, tão gelada. Um Homem-Deus que não viu lágrima sem enxugar, nem dor sem aliviar — e agora, sem consolo, sem arrimo, nesta triste noite de traição e negação.

Oh, se pudéssemos aquecer para Vós, ó Jesus, aquela noite! Se para Vós pudéssemos tirar aquela triste ingratidão! O que nós podemos fazer, nós faremos. Das vossas palavras nos lembraremos, de modo especial das vossas últimas palavras. O vosso santo exemplo de amor e humildade nós imitaremos. A vossa divina presença nós veneraremos. E muitas vezes, em nós, pobres, indignos, tristes, vazios, desamparados, desviados, resfriados de coração, vos receberemos. Receberemos com amor, fervor e humildade. Se Maria, a Mãe de Jesus, não estivesse na sala, certamente teria estado perto. É ela que nos há de consolar neste momento, pois foi ela que mais consolava a Jesus nesta vida, que não perdeu um minuto a lembrança de seu Filho de sua memória. Oh lembrança suave: pensar que ao menos Maria a Jesus não largava; que nela ao menos encontrava seu consolo e seu conforto; e foi ela que, em nossa ausência, tem consolado Jesus por nós. Oh digna, oh verdadeira Mãe! Ficai, ficai sempre com Jesus! Dizei que nós, pobres pecadores, queremos ser tudo para Jesus. E, de haver consolado, recebido e visitado a Jesus aqui nesta terra, seremos também recebidos no consolo de Jesus na feliz eternidade.
Amém.”